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Anorexia Nervosa

O que é?

A anorexia nervosa é uma doença do comportamento alimentar, verificando-se:

1. Restrição calórica, levando a um peso corporal significativamente baixo no contexto de idade, género, trajectória do desenvolvimento e saúde física. "Peso significativamente baixo" é definido como um peso inferior ao peso mínimo normal ou, no caso de crianças ou adolescentes, menos do que o minimamente esperado. 

2. Medo intenso de ganhar peso ou comportamento persistente que interfere no ganho de peso. 

3. Perturbação no modo como o próprio peso ou a forma corporal são vividos: influência indevida do peso ou da forma corporal na auto-avaliação ou ausência persistente da gravidade do baixo peso corporal actual. 

 

Podemos classificar a doença em duas tipologias:

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Tipo Restritivo

O tipo restritivo caracteriza-se pelo recurso exclusivo à dieta, ao jejum e à hiperactividade compulsiva, sem que, nos três meses precedentes ao diagnóstico, o indivíduo tenha incorrido em episódios recorrentes de compulsão alimentar ou comportamento purgativo (binge eating). 

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Tipo Purgativo

No tipo purgativo  os indivíduos manifestam, nos últimos três meses, comportamentos recorrentes de compulsão alimentar purgativa, ou seja, vómitos auto-induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas. 

A variabilidade histórica e transcultural na prevalência de anorexia nervosa corrobora a sua associação com culturas e contextos que valorizam a magreza.

A dificuldade no diagnóstico justifica a remissão para "Factores de Risco e Prognóstico”:

Indivíduos que desenvolvem transtornos de ansiedade ou exibem traços obsessivos na infância estão em maior risco de desenvolver anorexia nervosa.

Factores Temperamentais

Factores Ambientais

Existe um maior risco de anorexia e bulimia nervosas entre parentes biológicos de primeiro grau de indivíduos com a doença.

Factores Genéticos 

e Fisiológicos

Comportamentos relacionados com comida

Indiciando uma relação perturbada com a alimentação, a anorexia nervosa caracteriza-se por comportamentos frequentes, tais como:

  • Auto-restrição alimentar: uma redução das porções ingeridas e exclusão de alimentos específicos. ​

  • As refeições não variam e a composição dos pratos é estanque.

  • Contabilização de calorias/macronutrientes.

  • Corte dos alimentos em pequenos pedaços.

  • Utilização de utensílios inapropriados (pratos e talheres mais pequenos, por exemplo).

  • Ingestão lenta/demora excessiva no consumo das refeições. 

  • Dispersão da comida no prato, criando a percepção no(s) outro(s) de que foi ingerida. 

  • Colocar comida na boca e cuspi-la

  • Desenvovlimento de um interesse exagerado em comida/culinária: não raras vezes, os anorécticos envolvem-se na preparação de refeições e pratos elaborados, destinando-os a outros - a comida preparada não é ingerida pelo próprio.

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comportamentais

Comportamentos relacionados com movimento

A compulsão e a obsessão orientam os anorécticos para o movimento, o que se traduz na prática excessiva de exercício físico e na desconsideração da fatiga. Não sendo exaustiva, a identificação de alguns comportamentos bizarros pode esclarecer quanto à dimensão patológica no que à movimentação incessante diz respeito:

  • Prática de exercício físico compulsiva, fazendo-se acompanhar de sentimentos como culpa e vergonha quando as prescrições auto-impostas não são cumpridas. 

  • Longos trajectos percorridos a pé: se puderem, os anorécticos preferem deslocar-se a pé, percorrendo a distância mais longa e morosa possível.

  • Sensação de desconforto face à possibilidade de repouso: persiste a sensação de desconforto face à interrupção do movimento e, por isso, tende a prevalecer um estado de hiperactividade incessante. Ex: levantar-se muitas vezes, não se sentar, mexer-se após as refeições.

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Porquê estudar a discursividade quando o corpo se pronuncia de forma gritante? 

Porque questionamos a compreensão de senso comum, de onde se extrai que essa acepção vulgar se traduz numa identificação do sujeito anoréctico com uma representação que realiza de si mesmo.

Porque a virulência do paradoxo permite compreender que há produção de sentido no que não é dito, mas que se comunica.

Porque queremos descentrar a patologia do que é disseminado, nos meios de comunicação massificados e no espaço da(s) rede(s), enquanto "identidade anoréctica" - uma imagem fantasmada, um estereótipo estanque.

 

Porque propomos uma correlação entre a discursividade anoréctica e as práticas culturais contemporâneas.